Que as pulgas de mil camelos invadam os corpos de meus leitores que não deixam comentários. Think about!
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terça-feira, 13 de maio de 2014

O crime não compensa

Alguém se lembra desse suco?

Então, lembro-me de uma vez há muito tempo. Algo em torno de 1987 e 1989 creio eu. Estávamos todos no Sul. Acho que no paraná ou sei lá. Mas lembro de irmos pro litoral na belina do meu pai. Um puta belinão azul metálico. Na belina estavam eu, meu pai, minha mãe, minha irmã e o namoradinho dela na época.

Logo mais a frente, um outro carro, um Escort preto, que tinha meu tio, minha tia e o Patrick. Sim, o Patrick que tinha de tudo.

Chegamos na praia... e logo que montamos as cadeiras e os guardas-sol, o Patrick ganhou um daqueles baldes com pazinhas para brincar com a areia e um suco de plástico. Eu já fiquei de olhão e fui pedir para minha mãe.

_Manhê! Mãe... Mãezinhaaa...

_Já vai começar Sam... Dani... rafa... joaqu.(carayo).. Gabriel?

_Mas nem falei nada ainda mãe.

_Ora... respondendo para sua mãe. Tá de castigo!

_mas...Buááááááá

_Engole o choro, senão te dou um motivo para vc chorar de verdade.

_snif!

E nisso, meu pai, minha irmã, o namorado dela, meu tio, minha tia, e um grupinho de argentinos que estavam ao lado riam como condenados em dia de visita íntima. Menos Patrick, que não ria, mas me olhava como um sádico saboreando sua vitória.

Foi então que fiquei com mais vontade de tomar aquele suco, e o Patrick tomando inúmeros sucos, e já estava ficando roxo de tanta groselha.

Era um daqueles sucos que vinha em embalagens de plástico, tipo carrinho, cacho de uva, pistola...

Foi então que eu comecei a observar o Patrick tomando o suco, e tomando o suco...

E tomando, e quando acabava, ele tomava mais, e mais...

E eu me via amarrado naquele guarda sol, e todos rindo, e eu suando, e o Patrick tomando, e o cara vendendo, e eu amarrado, e todos rindo, e eu suando, e o Patrick tomando, e eu suando, e o barulho do mar, e os argentinos hablando, eu suando, me queimando, o Patrick tomando, todos rindo...



HUAAAAAAAAAA - SPARTASSSSS!

Sai correndo como um louco, ROUBEI o suco do Patrick, e fui em direção ao mar... eu corria como um louco, e entrei no mar... e ria feliz, por estar liberto e com o suco. Fiz a dancinha da vitória antes de tomar o suco.

Tudo em uma questão de segundos...

Veio um caldo... e puft!

Sumiu com meu suco.

MALDITO MAR DOS INFERNOS. NETUNO FDP.

Perdi o suco, todos olharam feio para mim, menos o Patrick (que ria pelo canto da boca, mas muito discretamente), e ainda fiquei de castigo de novo.

De castigo na praia e cheio de queimaduras com a língua seca. 




segunda-feira, 8 de julho de 2013

O que é pior se machucar ou passar Merthiolate

Me lembro como se fosse hoje! Era apenas mais um dia comum. Minha mãe sempre envolvida com reformas, que é um dos afazeres que mais lhe atrai, me chamou para ir em uma loja de construção localizada na Rua Brilhante, no bairro Vila Bandeirantes em Campo Grande MS. Isso ocorreu mais ou menos em outono de 1988.

A chevrolet marajó da minha mãe era tipo essa
ela me da arrepios, e logo saberão o pq


Minha mãe tinha uma Chevrolet Marajó Marrom, com seu toca fitas roadstar para ouvir os sucessos do Rei Roberto Carlos, e foi com ela que fomos a tal loja. Chegando lá ela pediu algumas coisas e os funcionários foram levar. Não me lembro ao certo, mas podiam ser sacas de cimento talvez. Sei que minha mãe abriu o porta-malas da Marajó e os caras colocaram as tais sacas lá dentro.

Eu já estava entediado de ver o povo trabalhar, e decidi ajudar. Foi então que nesse momento, falaram para minha mãe colocar o carro mais para o outro lado, pois ela iria pegar algo lá que era pesado, e seria melhor que o carro estivesse mais perto.

Ela entrou no carro para levá-lo mais pra perto, e eu muito esperto reparei que o porta malas estava aberto. Pensei comigo: “Never! Jamais permitirei que minha mãe dirija com o porta malas aberto colocando em risco sua vida.” Eu estava no banco de trás e falei para ela que ia fechar, mas acho que ela não ouviu muito bem. Pudera!!! O Rei Roberto Carlos estava berrando no toca fitas. “Detalhes tão pequenos de nos dois...”

Foi o tempo de eu chegar no fundo do carro, me esticar todo para fechar a porta e... 


BOOM! 



Ela acelerou o carro, e aquela porra me fez cair. Pasmem, mas o que era ruim, ficaria pior... 


Sabe se lá como, mas esse pequeno filho da mãe natureza, prendeu o pé no para-choque!


Minha mãe andou uns 15 metros me arrastando no chão daquela maldita loja de construção.

E eu quicavaaaaaaaa!


Eu pude ver de perto, chicletes, insetos mortos, vivos, os que matei com o corpo, pedras, pegadas, grampos de cabelo, até uma moeda de 5 cruzeiros.

Tudo isso ao som é claro do rei Roberto Carlos. “Detalhes tão pequenos de nos dois...” ah... é o caraio mesmo, detalhes uma pinóia!

Eu gritava de dor, urrava de medo, esgualepava de sofrimento, mas tive que parar, pois cada grito meu era uma pedra que engolia. Minha mãe nem estava ouvindo nada, e enquanto isso eu quicava no chão e foi aí que ela viu uns funcionários de deus me livre desesperados e gritando: 

“Dona... dona... seu filho”.



Agora uma pequena pausa para uma citação minha sobre o valor dos sentidos de quem é mais jovem...


"Nesse momento pude perceber o quão valiosa é a juventude e seus sentidos, tais como visão e audição, pois eu já tinha visto e ouvido os caras gritarem fazia horas." 

...voltando!


Minha mãe baixou o toca fitas e parou o carro. E eu estava lá, sem o mamilo direito, cheirando churrasco e sangrando, mas engolindo o choro como um homem!

Mentira... chorava como um filhote!

Minha mãe já veio correndo e falando: "mi hijo! mi hijo! Dios mio, Acudam mi hijo!"

Daí alguém teve o bom senso de me oferecer água com açucar. Mas que foi interceptada pela minha mãe, que a tomou com maestria.

E o pior é que ela continuou nervosa e me dando ralos do tipo, “Como vc me faz uma coisa dessas?”

Engraçado como os adultos se sentem no direito de dar ralo nas crianças acidentadas. Ainda mais no meu caso que estava todo ralado, cuspindo terra, sangue, baba e sem o mamilo.

Minha mãe me levou para casa correndo, e falou pro meu pai o que tinha acontecido. Meu pai, um cara sensato disse: Passa Merthiolate.

_ Merthi... whatttt?!?... P.Q.P! Meu pai devia tá com raiva de mim. Só pode!

Meu Deus! Ouvir aquilo foi a coisa mais dolorosa do dia. Podia muito bem ser arrastado pela minha mãe num carro velho, podia viver sem um mamilo, podia tomar banho 3 vezes por dia, mas passar Merthiolate era com certeza chutar o cadáver.

Mas garanto que se hoje to aqui, é pq sobrevivi a tortura e ao Merthiolate.

Obs.: quem é da geração coca-cola, sabe o que é o maldito Merthiolate e com certeza não dirá que estou exagerando.

a maior desgraça "Merthiolate" que inventaram
a propósito, não achei a foto do merthiolate

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Criança problema 2 - a pipa, pandorga, papagaio ou sei lá o que

O que dar de presente para o filho ou filha

Era um dia normal na rua Manoel Cavalcanti Proença, em alguma data remota entre 1989 e 1991. Pois é... como disse no post anterior, algo terrível estava por acontecer.

Foi o dia em que o pessoal estava soltando pipa. Todos tinham suas pipas, menos eu.
O Gabrielzinho (kiko), tinha uma pipa comprada do he-man, muito massa porém não era como eu queria. Queria uma de papel de seda com bambu e rabiola de sacola do comper.

O pessoal já estava me tratando como leproso por eu não ter uma pipa. 
Diziam algo do tipo:

"Deixa o Gabriel para lá, ele nem tem pipa mesmo!"

Só não chorava pois não era coisa de menino. Minha vontade era de enfiar um sabonete na guela deles todos.

Mas percebo hoje que isso era apenas um sentimento de invejinha.

Estava com medo de pedir pro meu pai fazer uma pipa para mim, uma vez que eu era bem criança e não sabia nem amarrar os cadarços direito. O problema é que meu pai tinha uma visão destorcida das coisas que eu gostaria de ter. Uma simples pipa poderia se tornar um grande problema em minha fase adulta.

Mesmo sem saber o que fazer, fui na mercearia "lá cabaça" que ficava no bairro caiçara e comprei um bambu, papel de seda e linha 10. Cola eu já tinha.

Tentei passar desapercebido na minha casa com todo aquele material. Era um sábado e minha irmã não estava em casa (provavelmente namorando). Minha mãe vendo TV (provavelmente Silvia Popovic) e meu pai ao lado dela (provavelmente pensando em quanto era sortudo por ser meu pai... ou não).

Fiz o mínimo de barulho possível para que ele não me visse, mas foi inevitável, pois com toda minha habilidade ninja em não fazer barulho, acabei fazendo.

Meu pai logo apareceu com a maior boa vontade do mundo. Nem sei se tanto para me ajudar, mas com certeza para mostrar que ainda não estava enferrujado e ainda sabia fazer uma boa pipa.

Meu Deus, que medo. Meu pai se propôs a fazer a melhor pipa da América latina para mim. E eu acreditei é claro... mas como todo paraguaio, fiquei... "Deconfiaaado".

Logo ele pôs a mão na massa e começou sua obra de arte. Todo orgulho como um herói  foi iniciando a sua pipa sempre com palestras paralelas de como ele era o "campeão de pipas em seu tempo". Cara... meu pai participou de tantos campeonatos que nem me lembro mais.

Para que saibam, uma pipa clássica é composta por três varetas de bambu, uma grande e duas menores, onde a grande fica no meio e as duas menores em suas extremidades.
Depois é o momento de passar a linha 10 para concluir a armação. Quando isso acaba é o momento de colocar o papel de seda.

Mas como vcs já conhecem meu pai do post anterior (veja aqui), podem concluir que ele não fez isso, e eu não podia questiona-lo.

Pois questionar meu pai sobre se ele sabe o que está fazendo pode ser tão pior do que jogar água nos gremlins.

No final de tanto sofrimento, pois não era nada daquilo que queria, minha pipa estava pronta. E meu pai como quem entrega um canudo de formatura de medicina na federal, me entregou a tão sonhada pipa, que me tiraria do vale dos leprosos.

O esquema das pipas

Era uma pipa "Balão". Acredito que se algum leitor de mais de 60 anos ler isso, vai dizer que essa pipa existe, más alguém da minha geração com certeza não.


A não ser o pessoal da minha rua que viu a pipa. huauha. Com a pipa nova, eu devia me sentir bem. De volta ao convívio social de uma criança, mas não era isso que sentia.




A pipa era trágica, pois não dava de bico e não podia colocar cerol. Mas no fim deu tudo certo, pois aprendi a fazer minha própria pipa que ficavam pensas até meus 13 anos. 

Depois saíram certinhas. Bom... não era assim algo que se possa dizer: "Nussssa! mas que bela pipa certinha" Mas dava pro gasto.

Enfim... eu cheguei em meu pai como um homem e disse obrigado, e meu pai respondeu da seguinte forma.


domingo, 3 de fevereiro de 2008

Criança problema 1 - carrinho de rolimã - traumas de infância

O que dar de presente para o filho ou filha

Eu e meus traumas de infância... depois de vender manga, andar com chinelos de garrafas de plastico e tudo mais... deixo aqui uma história para vcs.

Era um dia normal na rua Manoel Cavalcanti Proença, em alguma data remota entre 1989 e 1991.

Eu ainda era bem criança, quando a febre na rua se tornou o "Rolimã". Meus amigos todos tinham o seu rolimã, que o pai tinha feito, (menos o Gabrielzinho, que tinha o pai riquinho e havia comprado o seu. O Gabrielzinho era como o Kiko do Chaves.)

Meu querido pai percebendo minha frustração por não ter o meu carrinho de rolimã e percebendo que já estava implantada uma situação de exclusão social com a minha pessoa por eu não possuir o carrinho de rolimã, se propôs a fazer um para mim. E com a maior disposição do mundo voltou para casa com o material.

Nossa, era um grande dia... pois poderia brincar com todos sem ser o excluído ou tratado como leproso por não ter o carrinho.
Já cheguei apavorando meu pai, com dicas de como fazer o rolimã, me baseando nos melhores carros de rolimã que uma criança de até 8 anos já tinha visto.

Meu pai bem sossegado disse algo do tipo: "Calma guri, eu quando era criança era o campeão do rolimã"... E eu que imaginava que nem havia campeonato para essas coisas.

O Rolimã é composto por 3 rodas de rolimã, uma madeira grande para sentar e um pedaço de pau para colocar os pés. Mas quando fiz a contagem do material do meu pai, percebi que tinham peças a mais, como por exemplo um 4º rolimã, que logo imaginei ser o estepe. Porém nunca ouvi falar de um rolimã que furasse.

Sem contar uns pedaços de pau a mais.

Fiquei doido e perguntei para o meu pai se ele sabia o que estava fazendo. Nossa.... (o tempo fechou) me arrependo disso até hoje. 

NUNCA PERGUNTEM PARA MEU PAI SE ELE SABE O QUE ESTÁ FAZENDO, pois ele processa essa informação em sua cabeça como algo do tipo: "e ai florzinha, ta afim de levar umas porradas". Acho que ele apenas se conteve pois era meu pai e eu uma criança que tomaria conta de sua vida quando velho. Porem pude ver que ele segurou firme o martelo e me olhou com a cara do Jack Nicholson naquele filme que interpreta um psicopata.


a cara do meu pai quando alguém 
pergunta se ele sabe o que fazendo

Bom, decidi deixar o "mestre profissional" em criação de rolimã trabalhar.

Mas quando vi o negócio ficando pronto comecei a ficar assustado.

Ele estava ficando bem diferente do que queria.


Rolimã do meu pai e o comum. Alias... um puta 
projeto de engenharia do meu velho.


Ai ai ai... quando ficou pronto e vi o rolimã, comecei a chorar compulsivamente e meu pai claro não acreditava no que via.

Era o melhor que podia fazer. O rolimã era bem diferente do que o pessoal da rua tinha. Eu já antecipava a situação.

Seria tratado como o leproso excluído para o resto da vida, já me via com 50 anos sendo apontado na rua como "Hey... olhem, é o cara do Rolimã".

Sai correndo para meu quarto e chorava chorava... Até que minha mãe e meu pai foram falar comigo.

E meu pai disse algo que não adiantou muita coisa, mas pelo menos parou meu choro.

Ele disse: "é... seu carrinho ficou igual a um MONZA!" Olha minha cara quando ele disse isso. 


minha cara quando ouvi que
meu carrinho parecia um monza


E para quem não conhece, o chevrolet monza em questão:




Bom, de qualquer forma, eu fui convencido a voltar para meu convívio social que a pouco havia abandonado, e vi a gurizada brincando com meu Rolimã e rindo.

Foi bem legal, me senti de volta. Já podia brincar de novo. Fiquei bem feliz, não era mais o leproso.

Falei para meu pai, "você é o melhor pai do mundo". e ele, "é... sei!"


"eu sei..."


Bom, mas isso durou apenas até eu querer uma pipa. 
Amanhã escrevo sobre essa história.

t+





Como educar seus filhos! Ou como não educar seus filhos. Nostalgia e brincadeiras de criança. A melhor fase da vida.