Que as pulgas de mil camelos invadam os corpos de meus leitores que não deixam comentários. Think about!
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quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Minha novela Mexicana - a dor da separação

Traumas de Infância


Coisas de Criança! - please dont go


Toda separação é traumática. 

Perder a namorada, esposa, o cachorro, o gato, a mãe o pai, amigos, o dedo, o link no meio do download.... mas para crianças e atrizes mexicanas como Paola Bracho, as coisas podem se tornar mais traumáticas ainda. A dor pode ser cortante, e deixar cicatrizes pra sempre.

Eu me lembro da minha primeira separação (sem contar a do cordão umbilical). 

Eu me lembro quando meu pai foi embora. Eu era só uma criança. Era de amanhã. Lá pelas 7:00... e eu chorava, e chorava e gritava. Dizia: Por favor pai, não vá?

Minha mãe me soltou sem querer, e eu sai correndo em direção dele, até que tropecei, e cai no chão. Eu pude ver um dente meu quicando enquanto as lagrimas de meu rosto se misturavam com a terra. Aquilo doia demais. Eu tinha que me preparar para uma nova vida. Uma vida sem meu pai. Talvez eu devesse me tornar o homem da casa e pagar as contas. 

Só lembro que adormeci...

Acordei algumas horas depois com meu pai em casa.

Eu era apenas uma criança e não podia entender... mas ele só tinha ido trabalhar.

Odeio separações, mas na real, quem que gosta?
Acho que com exceção de quem acabou de
 ganhar na loteria, mais ninguém gosta.





Odeio separações, mas como toda novela mexicana, esse é um final feliz.

Viva o trabalho em casa y viva la revolución!

Por isso filhos de dondas de casa são mais felizes.

perdi meu isqueiro de novo. Que droga!

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Toca das Gatas

Há mais ou menos uns 6 anos, aqui mesmo em Campo Grande/MS eu estava na estiga, então eu liguei pro meu primo Patrick e disse:

_hey cabron, vamos pro crime!

Meu primo Patrick (sim o mesmo que teve de tudo na vida enquanto eu não tinha nada) me disse:

_Calma Cigano, vou te levar no Zica.

Duas coisas:

1. O zica é a melhor zona da cidade. É o antigo Enigma que ficava na Rua 14 de Julho e hoje fica na Saída de Rochedo.

2. Até hoje eu nunca entendi pq o Patrick me chama de Cigano.

Chegou no horário, não deu para ir no Zica, então ele falou:

_relaxa Cigano! Vamos numa outra zona aí que é ponta firme. Chama Toca das Gatas.

Então, fomos na bendita Toca das Gatas. O caminho não me era estranho. Parecia muito com o caminho que eu fazia de Mula para ir ao colégio Palhacinho de Ouro no Coophavilla 1, quando criança. 

Assim que eu ia para Escola Palhacinho de Ouro. 
Inclusive o guri da foto sou eu.


As ruas muitos parecidas, o bairro muito parecido, enquanto isso uma música bonita tocava em minha mente, tal como “Raindrops Keep Falling On My Head”... e pensava nas paçocas que tinha comido ali, goiabadas, aulas de educação física e...  opa! O TOCA DAS GATAS é o antigo Palhacinho de Ouro?

(sim... o mesmo Palhacinho de Ouro de minhas histórias de infância)

O Patrick soltou aquela rizada: 

_AUHAUHUAHUAHUAHA! cigano Inocente!

Entramos na zona, o Patrick chamando as meninas de meu bem, e eu com cara de quem não acreditava no que via. O Patrick foi falando que eu era Promotor Público. Como se precisasse, pois as mulheres eram horríveis. Nem num pagode de fim de mundo tinha aquelas beldades.

Eis que surge um homem, estatura media, uns 90 kg, direto da penumbra, bem ao estilo Tony Ramos, com um acordeon e com muitas correntes e anéis de ouro e falou quase que com uma lágrima nos olhos:

_ahhhhhh! Vcs aqui? 

E continuou dizendo para suas funcionárias:

_Esses aqui são meus meninos, cuidem bem deles.

E sai tocando acordeon, enquanto três meninas nos abraçavam.

Hauhauh... eu achei que já tinha visto de tudo na minha vida. Mas ver Raul, meu antigo diretor, que vivia me dando suspensão falar para aquelas mulheres nos darem do bom e do melhor, foi foda! 

Foi aí que senti que meu Primário e Ginásio valeram a pena.

Ele ainda voltou e brincou:

_Se vierem de uniforme, tem desconto.

E saiu de novo tocando a mesma música no acordeon. Hehe...

O palhacinho de Ouro virou a Zona TOCA DAS GATAS.

Mas não deu em nada aquele dia. A estiga passou, quando uma paraibana com bafo de caipirosca me falou que ia cuidar de mim gostoso, enquanto tossia um pigarro que parecia ter vida própria. E tudo isso em frente da mesma piscina que eu sempre via minhas antigas paixões da 5º e 6º série.



Se olhar bem, no fundo da sala, ainda tinha um abecedário de cartolina com bordas de papel crepom, com A-zinhos, B-zinhos e C-zinhos felizes de mãos dadas.

Hehehe.

Bom... o Toca das gatas ainda funciona a todo vapor, é só chegar na coophavilla 1 e procurar a luz vermelha.


quinta-feira, 17 de abril de 2014

Pau que nasce torto mija fora da bacia


No final dos anos 80 minha irmã ganhou do meu tio uma caloi ceci grande. Eu tinha uma caloi cross e eu arrepiava com ela. Foi então que eu peguei a ceci da minha irmã e percebi que ela era mais leve. Daí eu empinava a rolê com ela. Mas minha irmã, chata como toda irmã, me regulava a bicicleta pq diz que eu ia estragar Tudo pq uma vez emprestei a ceci pro BARATA e ele raspou o paralamas no chão. Que se registre isso: Minha irmã cuidava tanto da bike dela, que se ela ainda existisse (a bike, não minha irmã) ela ainda estaria nova (a bike não minha irmã).
 

Meu pai vendo aquilo e com medo de eu gostar mais da ceci e isso influenciar meu comportamento futuro, rapidamente fez aquilo que ele julgou um bom negócio.

Trocou minha cross por uma bike grande! Ele fez esse rolo com o Jorge, um amigo dele que andava de regata, cabelo mullets e tinha 6 dedos em cada mão.

Por deus! Vendo aquilo pude concluir duas verdades absolutas...

1. Meu pai era um péssimo negociante;

2. Aquilo com certeza era a bicicleta mais feia do mundo.

Bom... era uma bicicleta grande, que tinha meio circulo no quadro, só tinha o freio de tras, e um banco de molas que fazia muito barulho.
Agora o detalhe principal... ela não tinha guidão. Na verdade tinha... mas era um pedaço de cano de pvc, e nem era tigre.

A primeira empinada que eu dei nela, eu cai e quebrei a cara e o pseudo guidão.

Minha mãe já estressou com o velho e soltou os cachorros:

_usted só traz basura pra nuestra casa, cabron.

E meu pai:

_ ¡calma chica, Yo resuelvo!

Meu pai pegou a bike e levou no Ari que era uma bicicletaria na avenida tiradentes e mandou reformar a bike.

O Ari, pintou de preto, colocou um freio na frente, colocou um guidão de ferro e trocou os pneus.

A reforma durou exatamente o tempo que fiquei de molho me recuperando do tombo homérico que levei. Até que um dia ele chega em casa, e me entrega a bicicleta, que nem o Luigi Baricelli entregava o caminhão do Faustão.

Eu confesso que a bike ficou massa... e tal. Mas meu pai falou:

_hijo, vai lá no LÁ CABAÇA compra cigarrilhos para tu papa.

(obs.: naquela época criança podia comprar cigarro, ainda mais no lacabaça do bairro caiçara)

Então eu fui!

Fui de bike e voltei a pé.

Roubaram ela menos de um mês depois que reformada, ou 40 dias depois que quebrei o cano de pvc.

Essa bike só fez eu me ferrar...

Por isso, na minha casa só uso Tigre!

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

CASOS DE FAMÍLIA - O dia em que me senti uma borboleta

 TEMA DE HOJE 
"O dia em que me senti uma borboleta e 
apanhei do meu tio mecânico"

"Ui! fala pro seu tio bater em mim"


Muita calma nessa hora! Não sou nenhum enrustido que não saiu do armário! O que ocorreu não é sexual, mas fez eu me sentir uma borboleta. Isso foi a muito tempo! Eu devia ter uns dez anos o que mais ou menos nos leva a 1992!

Eu estava na casa da minha avó! Junto da casa de minha avó, tinha a oficina do meu tio. Como eu estava atoa de boa meu tio me mandou varrer a oficina.
Então lá estava eu varrendo a porra da oficina. Era um pedido que eu não podia negar, pois meus pais sempre arrumavam as coisas lá na faixa, e além disso eu sempre filava uma boia na casa da tia!

E da-lhe que varre...  o chão já estava quase branco quando uma borboleta que estava numa árvore me chamou atenção. Eu fiquei só observando aquela borboleta e vendo ela de boa parada com as belas asas abertas! De repente... fui tomado por uma força maligna que me fez colocar o cabo da vassoura numa das asas da borboleta. Daí eu via ela se debatendo com apenas uma das asas! Eu estava frio como um psicopata vendo aquele pobre ser se debater e tentar voar em vão. Foi aí que meu tio chegou e berrou comigo. Ele disse:

Tio: Que vc ta fazendo moleque?
Eu:  heim?
E então ele libertou a borboleta e meteu a mão no meu ombro contra a árvore! Ele tinha sangue nos olhos e falava:
Tio: E ae... ta gostando? Ta gostando?

Enquanto isso eu me debatia que nem a borboleta!



O pior é que borboleta ta voando ao nosso redor, como se contemplasse todo meu sofrimento. Não tive culpa! Era só uma criança.


“deus perdoa as crianças e os bêbados”


terça-feira, 10 de setembro de 2013

Flamengo x São Paulo - Assim que virei flamenguista

Isso foi em alguma data entre 1989 e 1990

Eu tinha acabado de voltar do exterior e um uma grande viagem com a família pelo Paraguay e Argentina, e então quando voltamos para o Brasil nos mudamos para Rua Manoel Cavalcanti Proença na Coophavila 1.

Lá conheci muita gente interessante! Zueira... conheci as gurizada da rua mesmo. Era uma rua sem saída então era de boa ficar perambulando por lá. E então eu conheci a Carol. Ah... como ela era linda. Era um pouco mais velha que eu, talvez uns 2 ou 5 anos. Ela tinha olhos verdes e era toda bonita. Eu logo de cara me apaixonei por ela.

Mas isso foi há muito tempo e depois de conchita, eu jurei que nenhuma mulher iria me persuadir novamente.

Foi então que um dia jogando beti ou bola na rua (não lembro exatamente o que estávamos fazendo) foi que alguém da roda perguntou qual era meu time?

Eu tinha 6 anos apenas e para mim eu torcia para o Brasil.

Alguém: Que time vc torce Gabriel?
Eu: heim?
Marcinho: Eu torço pro flamengo!
Ricardo Ochiro: eu pro Palmeiras. 
Gabrielzinho: Eu torço pro São Paulo (gabrielzinho era o brugueizinho da rua)
Jorge Gaguinho: Papal (é o gaguinho faixa roxa de karate que me bateu quando eu era criança)
Carol: o que?
Jorge: Papal...mm...
Carol: What?
Jorge: Papalmemeiras!
Carol: E vc gabriel?
Eu (faceiro com a resposta na ponta da lingua): Brasil!!!
Carol: que brasil nada, aqui eu sou flamengo, o Marcinho é flamengo, e fulano e ciclano é flamengo e eu que mando nessa rua e vc vai ser flamengo tb.

Quando ela me disse todas aquelas coisas, meu cérebro 
processava a informação como a foto acima.


Foi então que eu virei flamenguista roxo.

Já entre 1991 e 1992

Meu pai estava na faculdade eu estava assistindo um Jogo em casa entre o Flamengo e o São Paulo. E a porra do São Paulo fez o primeiro gol. Bom... não Priemos Cânico! e eu da-lhe que torcia e a Carol sempre na minha cabeça como na foto acima. E no meio dos meus devaneios a merda do São Paulo fez outro gol. P.Q.P. Daí eu desmontei. Eu devia ter uns 8 anos, mas chorava como uma criança de 6! E fiquei decepcionado e desolado. E queria me matar com a antena da TV. Até que meu pai que era corintiano chegou em casa.

Eu decidi me esconder para que ele não me visse naquele estado lastimável. Estava  de trás do sofá e meu pai entrou. E ele me viu e perguntou pq eu tava chorando.

Pai: Baguál, pq vc ta chorando?
Eu: buaááá, não to chorando! snif snif!
Pai: Fala pro pai guri, que que foi? É o trabalho? (eu cuidava carros na vizinhança)
Eu: Foi o flamengo, ele perdeu pro são paulo de 2 x 0.

Meu pai sempre foi um homem sábio! Ele podia me explicar que aquilo é só uma disputa, ou que era negócio. Aquele tb seria um ótimo momento para uma conversa sobre corrupção entre pai e filho onde podiamos tomar um wisky e fumar charutos divagando sobre a politica que é a porra do futebol. Mas não... ele protelou isso tb. Aquele podia ser um momento em que ele me dissesse qualquer merda, menos a única coisa que ele não podia dizer.

Eu estava sentado no seu colo pronto para receber sábias palavras de meu pai, um cara experiente da vida e foi quando ele me olhou nos olhos,  e com propriedade disse:

Pai: Larga de chorar, vc tem torcer para o Corinthians! 
Eu: Corint...??¿?!!!!?

Ele se levantou, acendeu um cigarro e foi tomar wisky sozinho.

Bela merda de conselho heim pai!

Ao menos meu pai viu o corinthinas ser campeão! Ele faleceu em 2010, mas teve esse prazer.

Toda vez que lembro desse jogo ou desse dia, eu lembro da carol assim

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

O que é melhor, violão ou guitarra?

Tocar violão ajuda a pegar mulher? Tocar guitarra ajuda a pegar mulher?  Aquela velha lenda, ou a verdade sobre isso. Eis minha história de vida sobre esse assunto.

CAMPO GRANDE MS, ALGO EM TORNO DE 1994 A 1996.

Eu me recordo de quando ainda era guri! Estava na casa de uma tia, e meu primo Ulisses, mais velho, estava tocando violão. Me lembro que ele tocou Daniel na Cova dos leões da Legião Urbana, Capim Guiné do Raul Seixas e Televisão dos Titãs. Porra! Achei aquilo muito massa e me deu vontade de aprender. E pqp... ele tinha um violão da Yamaha, elétrico, bom pra cacete, mas que na época para mim, não passava de um violão qualquer, isso pq eu não entendia porra nenhuma de nada.

Ele me disse que era de boa aprender tocar e completou com uma frase que foi meu elixir durante todo o resto de minha vida, ao menos até aquele momento ou quase uma semana depois. Ele disse:

Ulisses: Primo! Se vc aprender a tocar violão vc vai beijar todas as gurias de sua rua!
Gabriel “vidrado”: CÊ JURA?

Eu pensando em como seria bom aprender a tocar violão


Cara, eu pirei! Decidi que devia aprender a tocar aquele instrumento o quanto antes, principalmente pq tinham duas meninas na minha rua que provavelmente estavam apenas esperando eu aprender violão para beijá-las.

Foi aí que começou minha romaria para buscar uma professora de violão. Me lembro que eu estava com meu amigo João Adalto na Rock Show, que era uma loja de coisas massas na Afonso Pena em Campo Grande MS.  Estava nós dois mais o Wagner, que trabalhava lá, falando de solos de guitarra, aulas de violão e coisas do tipo. Até que um tipo estranho de jaqueta e chapéu, que estava mexendo no balcão se virou para mim e disse:

Tipo Estranho: Então vc quer aprender a tocar violão? (fazendo cara de prestativo)
Gabriel: ¡si si! Quiero mucho! Vc ensina?
Tipo Estranho: Sim! (fazendo cara de que era professor)
Gabriel: E vc sabe tocar sweet chield o’mine? (eu achava nessa época a música mais foda do mundo)
Tipo Estranho: Mas é claro! (fazendo cara de que sabia tocar mesmo)
Gabriel: Até mesmo o solo?
Tipo Estranho: Evidente! (levantando a sobrancelha e fazendo cara de "vc é um garoto ainda")
Gabriel: Massa! Eu quero fazer aula de violão!
Tipo Estranho: Mas pq violão e não guitarra?
Gabriel: é que meu primo me falou que se eu aprender a tocar violão, vou beijar todas as gurias de minha rua!
Tipo estranho: Garoto! Se vc aprender a tocar guitarra, vc vai COMER todas as gurias do seu bairro. (fazendo a cara do Senhor Miyagi)

Eu percebendo como mudava de ideia bem rápido

CARALHO! esse cara não devia ser guitarrista e SIM Presidente de Marketing de uma Multinacional. Se eu tivesse um violão na mão aquela hora eu tinha quebrado no chão e queimado como o jimy hendrix fez.


Jimi Hendrix queimando... ops! foto errada.

Agora sim. Jimi Hendrix queimando tudo

ALIAS... se tinha algo que o jimi hendrix fazia melhor que tocar guitarra era QUEIMAR!
QUEIME BROW

Não pensei duas vezes! Larguei do violão e parti para guitarra. Tudo isso em menos de uma semana e sem aprender nem um acorde, e nem ao menos ter um violão ou guitarra.

Esse cara que me falou isso era o Corvo, Fabio Terra, Guitarrista do Bando do Velho Jack, banda de rock and roll aqui de Campo Grande, MS.

O fato é que não fiz aula com ele porra nenhum, acabei fazendo só dois meses de aula com outro professor o Demétrius, não comi ninguém e tamo ae na luta e até hoje não sei tocar sweet chield o mine.

Bela musica de merda essa tb.


nem demorei para escolher

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Assim que eu ia pra escola

O fotógrafo jurou que era uma zebra. como eu era criança eu acreditei.
Alguns dias depois o mesmo cara apareceu e disse que era um leopardo.
Mas aí eu não acreditei.

eu, provavelmente em 1986

Parece que a zebra dormiu?


Assim que eu ia para o colégio Palhacinho de Ouro na rua Campinas em Campo Grande MS.
Vida dura!

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Matemática for Dummies - parte 01

Post dedicado a minha mãe que é a única que lê esse blog e sempre reclama que eu só digo coisa ruim.

Eu aprendi a matemática desde criança. E da maneira que aprendi nunca mais esqueci. A história que vou aqui contar pode chocar minha família, mas que sejam colocados os pingos nos “i”.

Campo Grande, MS em alguma data entre 1990 e1995, mais precisamente na vila jacy.

Bom, eu morava no bairro caiçara, que é um bairro barra pesada, mas do tipo parque de diversões perto do bairro que moro hoje o Tirá!

Minha mãe juntou suas economias e rumou para Glasgow na Escócia para visitar a irmã dela que em 1983 deixou o Brasil.

Ela estava com muita saudade e por essa razão juntou suas coisinhas e pegou um varig rumo ao velho continente.

O tempo passou e eu sentia sua falta e foi numa dessas que ela enviou o equivalente (corrigido para os dias de hoje) a R$ 200,00.

Enviou a grana para meu pai com o seguinte dizer: “Essa grana é para nossos filhos, Oscar. 



Dê R$ 100,00 para Any e R$ 100,00 para o menino” (minha mãe me chamava assim, pq ela sempre confundia meu nome, alias, confunde até hoje, pois ela me chama de Leo, Oscar, Chitinha e uma vez até me chamou de Jarbas, não me pergunte o porque, pois nem eu me atrevi a perguntar).

Meu pai é claro tendo em vista aquele montante que era mais que um salário mínimo da época, pensou o seguinte:
“Pq eu não fico com 50% dessa quantia e dou os outros 50% para Any e para o Bagual (meu pai me chamava de bagual, pois tb me confundia).
Dito e feito! Meu pai, o provedor da casa, o gorilão da bola azul, embolsou 100pila e deu 100 pila pra minha irmã com o seguinte dizer:

Pai: Any, fique vc com 50 contos e dê 50 contos pro Daniel!
Any: Dan... quem?
Pai: ops! Pro... Gilson!
Any: Pai! Vc ta falando do menino?
Pai: Isso... o bagual.
Any: Ok

Então minha irmã com aquele montante, e com tantos redleys e ryders que ela podia comprar, pensou:

“Pq eu não fico com 75% desse montante e passo a quantia para o Sérgi... ops Menino”.
Minha irmã pensou certo! Eu era apenas uma criança e não tinha muita grana ou anseios materiais. Eu tinha tudo que precisava para ser uma criança feliz. Tinha uma enxada e um quintal grande para me divertir.

Alem do mais, me passar pra trás não era algo difícil, até pq minha irmã sempre me aplicava pequenos golpes financeiros devido nossa diferença de idade. Eu de 1982 e ela de 1973. Um dos golpes clássicos e que ela mais gostava de me aplicar, era o de: 

Any: Olha menino, eu tenho um monte de dinheiro e vc só tem um, quer trocar?
Eu: Não maninha, não quero que vc fique em desvantagem. Eu te Amo.
Any: Que isso felip... ops! Dodinho, a maninha troca com vc e te ama tb.
Eu: Tá!

Esse golpe consistia em eu ter duas notas de Dez que ganhei de minha avó, e ela 5 notas de um. Logo... era muito mais dinheiro.

Voltando...

Mas sabem que meu sonho sempre foi ter marcha na bicicleta. Mas primeiro eu precisava ter uma bike. Mas nem da nada, pois meu pai tinha uma.

Monark African amarela que minha mãe deu pro meu pai
Provavelmente minha mãe lerá essa história e vai dizer que eu tinha sim uma bicicleta. Mas quero lembrar uma passagem que rolou antes desse fato.

Meu pai trocou minha bicicleta caloi cross  por uma bicicleta de deus me livre, que o guidão era de cano PVC. E o pior é que algum filho de rampeira roubou minha bicicleta de cano de pvc na mercearia la cabaça do bairro caiçara.

Voltando ao texto, eu peguei a minha parte da grana com minha irmã. Ela me passaria pelos seus cálculos R$ 25,00 mas no caminho ela passou numa banca e comprou uma "Sabrina" e me sobrou 19 pila. Ela me deu o dinheiro e disse:

Any: Lindo, a mãe te mandou essa grana!
Eu: “lindo!! Aí tem coisa” Obrigado Anynha!
Ela ainda disse:
Any: Vc quer um sorvete querido?

(eu ficava puto pq ninguém me chamava pelo nome, sempre apelidinhos padronizados para não errar.)

Eu: Claro que quero Anynha!
Any: Ah brigado maninho lindu! Compre pra gente ali naquele picolezeiro.

minha cara quando contei meu dinheiro para compra marcha


Resumindo... dos meus 19 pila, me sobraram Apenas 18, pois ela ficou com uma moreninha de 60 centavos e eu com um sorvete de groselha de 30 cents. Os outros 0,10 centavos o picolezeiro embolsou pq disse que não tinha troco.

Picolezeiro malandrão que me filou 0,10 cents


julius acha muito dez centavos

Enquanto ela e eu degustávamos o sorvete, eu disse para ela que meu sonho era ter uma bicicleta de marcha e que queria comprar o que faltava para que a bike amarela (monark african) do meu pai tivesse.

Fomos então na MONA CICLO que ficava na avenida bandeirantes na vila Jacy (hoje ciclo ribeiro).

Chegando lá, fizemos um orçamento e é claro que minha grana não deu.
Eu precisava de uma catraca, coroa, cambio traseiro e central sun race, os trocadores com seus cabos de aço e uma corrente especial que é mais fina para poder passar nos câmbios.

Minha grana só deu para comprar a catraca e a coroa.

Fiquei bem chateado, pois eu só tinha 18 pila e na real eu podia ter cem. Na verdade R$ 99,50 por causa da moreninha da minha irmã.
Mas minha irmã viu minha cara de desolação e falou:

Any: Rafae...ops! Samue… quer dizer, Maninho, eu vou comprar para vc o jogo de marcha, depois vc me paga.
Gabriel: Meu deus do céu anynha, que legal que vc é. A melhor irmã do mundo.  

cambio sun race


O jogo completo deu mais ou menos uns 43 conto. Nessa jogada ficou todo mundo satisfeito e isso que é realmente importante.

Minha mãe fez a boa ação dela, meu pai lucrou 100 pila, minha irmã 57 contos mais uma moreninha, e o picolezeiro levou 0,10 cents nessa. E eu é claro que levei o jogo de marcha completo, mais uma dívida de R$ 25.

O vendedor ainda disse assim:

Vendedor: deu 43 mirréis, mas faço 50 instalado.
Any: ah... ele é um menino esperto, ele mesmo instala.
Eu: mas, eu tenho que fazer tarefa, lavar a louça e...
Any: Nada de "mais" Luc... ops! Jorg… Dodinho (outro apelido meu)! Instala vc senão a maninha fica sem dinheiro. Alem do mais eu to sem tempo para lavar a louça e limpar a casa, pq tenho que pintar as unhas, ir no salão e depois no cinema.
Eu: Ta bom maninha.

Demorei alguns anos ainda, mas depois entendi como funcionava a matemática da coisa.


Resumo da opera: Eu, que era para ter ganho R$ 100, e acabei a história comprando um jogo de marcha e uma moreninha que custaram R$ 43 e saí devendo 25 pila pra minha irmã!

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Como ele sabia que era eu? incrivel

Campo Grande, MS em alguma data entre 1990 e 1991 na oficina mecânica do meu tio na vila Jacy.

quase o belinão do meu pai


Estava eu e meu primo Patrick brincado na oficina do pai dele. Meu pai (metido a mecânico) estava tunando na sua belina 86. Um clássico o ford belinão 86 Ghia tunada. Ele então pegou um macaco hidráulico e ergueu o carro e ficou lá embaixo mexendo em algo.

“MACACO HIDRÁULICO, ferramenta fundamental em borracharias e oficinas mecânicas. Ferramenta essa que era um baita brinquedo para mim e meu primo Patrick. Agente subia na parte de elevação do macaco hidráulico. Bombava para erguer, e depois girava a válvula para descer. Mas o lance profissa mesmo era girar apenas um pouco para descer aos poucos. Só um tó tó zinho. E disso eu manjava, pelo menos é o que eu pensava até aquele fatídico dia. Eu sempre tive uma necessidade enorme de girar aquela válvula... não podia ver um macaco hidráulico e que já ia girando. Faço isso até hoje. Como que um toc.”

macaco era igual a esse, só que mais surrado


Voltando ao meu pai, que estava de baixo de seu belinão 86, mexendo e remexendo... ah! Um fato importante para esse texto era descrever que meu pai não era gordo, mas tinha uma baita duma barriga de respeito. Tudo de chopp! Uma senhora barriga. ...bom, onde parei? Mexendo e Remexendo, e enquanto isso eu corria de um lado para o outro com o Patrick. Daí, numa dessas, eu vi o macaco hidráulico verde segurando a Belina, e meu pai embaixo, e de repente fui tomado por uma força maior que me fez sentir uma necessidade vital de girar a válvula. Eu pensei:

Que mal tem girar só um pouquinho? Quem sabe uns 25° por 2 segundos?
E meu pensamento estava correto, pois eu sempre fazia isso com o Patrick. E era super de boa.

Então eu girei!

Mas quando girei, o belinão DESPENCOU no meu pai, ou melhor, prendeu a barriga do meu pai contra o chão.

Ele coitado, não teve nem tempo de nada, ele só gritou...

AHHHFFFFFFFFFF!!!! GAHHHFFFBRIEHHHFFFELHHHH!!!!!
EEHHUHHHUFFFF TEFFFF MATOOFFFFFF e coff coff


Naquele dia eu tive alguns insights: Uma descoberta, uma decisão e muitas dúvidas.

Descoberta: Crianças deviam estudar física desde cedo. Pois meu raciocínio estava certo, 25° por dois segundos não era nada mesmo, porem eu não levei em conta o peso da belina e o tamanho da barriga de meu pai.

Decisão: eu precisava de um plano de fuga o mais rápido possível, pois logo alguém tiraria meu pai da li e com certeza ele me mataria.

Dúvida: Como meu pai sabia que era eu? Pq ele preso nas ferragens, gritou meu nome? Naquela casa tinha no mínimo dez pessoas. Minha avó, tio, tia, mãe, irmã, funcionários da oficina, meu primo, e pq justo o meu nome foi o primeiro a ser citado?



Para quem se interessou pela história, saiba: Não aconteceu nada grave com meu pai, nem comigo. Na verdade depois desse episódio, eu tive um apagão estranho e não me lembro nada dos 4 meses seguintes. Foi como se eu dormisse naquela noite e acordasse 4 meses depois na escola Palhacinho de Ouro.


"DEUS PERDOA OS BÊBADOS E AS CRIANÇAS"